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Deficit de vagas em creches públicas chega a 21 mil no DF

Para conseguir matricular o filho de 3 anos na escola de educação infantil mais próxima de onde mora, a vendedora Flávia Gonçalves, 30 anos, passou meses indo toda semana até o Centro de Educação Infantil (CEI) 216, em Santa Maria. A boa notícia veio apenas na última quinta-feira (19/1), quando ela foi avisada que a escola disponibilizaria 50 vagas remanescentes. Mesmo com a orientação de que poderia ir para a fila apenas no dia da distribuição das senhas, Flávia se antecipou e chegou ao local às 4h30 da manhã. Para a sua surpresa, todas as vagas já estavam preenchidas. “Na porta da escola, tinha apenas cinco pessoas na minha frente, quando abriram o portão da escola vi que muitos pais dormiram dentro do colégio e, mais uma vez, perdi a vaga do meu filho”, conta.

Flávia não está sozinha na luta para conseguir uma vaga para o filho na rede pública. Faltam unidades de educação de primeira infância no Distrito Federal. De acordo com a Secretaria de Educação do DF, o deficit nas creches públicas é de 21 mil vagas. Na educação infantil, que contempla crianças de 4 e 5 anos, 1,6 mil crianças estão na fila de espera para começar a fase da alfabetização.
Desempregada, Carolina Santos de Oliveira, 21 anos, não pode procurar um emprego. Com dois filhos pequenos em casa e sem conseguir vagas para que estudem, não pode voltar ao mercado de trabalho. “Não tem creche para o pequeno, nem escola para a maior. Eles ficam o dia inteiro em casa, quando seria melhor aprenderem desde pequenos”, acredita.

Maísa, 4, é uma das 1,6 mil crianças que ainda não conseguiram dar início à vida escolar. “Ela diz que quer fazer aniversário logo, completar 5 anos, para ir à escola. Ela chora quando vê os amiguinhos indo estudar todos os dias”, revela a mãe, que usa desenhos para estimular o aprendizado em casa.

Oferta

Atualmente, o Distrito Federal tem 42 Centros de Educação da Primeira Infância (CEPIS) e convênio com 59 instituições, que mantêm 82 unidades escolares. Juntas, as unidades atendem a 51 mil crianças. A pasta esclarece que existem, ainda, mais 11 unidades em obra. De acordo com a SEDF, outros cinco CEPIS, nas regiões de Samambaia, Brazlândia, Águas Claras e Lago Norte, possuem a previsão de início das atividades ainda no primeiro semestre.

Dos R$ 1,6 mil que a vendedora Alzimeire Santana de Oliveira ganha por mês, R$ 500 vão para o aluguel e R$ 310 para a escola da filha. “E ainda tem as contas mensais de luz, água, gás. O gasto poderia ser menor se tivesse vaga na creche pública”, diz. A menina, de 2 anos, está desde os 7 meses na fila de espera.

A vendedora diz que já procurou a regional de ensino, fez a inscrição, foi várias vezes à unidade e sabe que o nome da filha está na lista. Mesmo assim, a vaga não está garantida. “Poderia suprir outras necessidades da minha filha, dar algum lazer a ela, mas acabo ficando apertada por conta da escola.”

Mudança

A Secretaria de Educação anunciou, nesta quarta-feira (25/1), mudanças na forma de matrícula nas creches do DF. Pais e responsáveis que queiram matricular crianças de até 3 anos em creches públicas ou conveniadas poderão ligar para o telefone 156 (opção 2) em vez de comparecer à unidade escolar no último dia útil do mês.

A pasta informou, ainda, que a manifestação de interesse em uma vaga não garante a matrícula, que será a última etapa do processo. Depois de informar os dados pelo 156, deve-se procurar a coordenação regional de ensino para comprová-los. O telefone funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e, aos sábados, domingos e feriados, das 8h às 18h, apenas para ligações de aparelhos fixos.

Atualização

Embora a Secretaria de Educação do DF reconheça o déficit de 21 mil vagas em creches, a pasta esclarece que fez esforços nos últimos anos para suprir a demanda. “Mesmo com a migração e taxa de natalidade o objetivo é não deixar a demanda aumentar”, informou a SEEDF por meio de nota, em novo contato com o Correio.

De acordo com o órgão, em 2016 foram ofertadas 3.736 novas vagas em creche públicas e conveniadas, mais 680 novas vagas no início deste ano, fechando um total de 4.416 oportunidades. Número que equivale a 20% das 21 mil vagas em falta.

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